Quinta-feira, 18 de Junho de 2009
Passei a noite relativamente calma, estava certa que não era “aquele” dia! Na véspera tinha ido trabalhar e quase que me obrigaram a deixar as coisas mais ou menos organizadas que por mim eu iria ao hospital e logo voltava ao serviço!
A única diferença naquela noite foi a minha pergunta ao Tiago se queria dormir connosco toda a noite! Agarrei-me a ele e aí sim deu-me um misto de ansiedade/ medo do que viria a seguir.
De manhã depois do banho tomado comento com o Paulo que achava que estava alguma coisa estranha comigo e que tinha a sensação de estar a ter alguma perda de líquido. Como não tinha a certeza deixei andar. Vesti o Tiago, acabei de preparar o meu saco e o do Rodrigo e ainda a mochila do Tiago. Quando estávamos cá em baixo a tomar o pequeno-almoço sinto aquilo que eu não queria e que já tinha sentido do Tiago, rebentarem-me as águas! Dirijo-me ao Paulo e comento com ele o sucedido e eu ao dizer-lhe que não tinha dores a resposta foi logo: - Que treta vamos passar tudo outra vez! Carregamos o carro com os sacos de maneira a que o Tiago não visse para não fazer perguntas! Fomos levá-lo ao colégio e aí eu não tive coragem de entrar, dei-lhe um beijo apertado e disse-lhe que o adorava. Depois de ele sair do carro as lágrimas corriam-me pela cara e eu só tentava acalmar-me e que ia ficar longe dele por pouco tempo e que iria tudo correr bem!
A chegada ao hospital foi calma e fomos para o bloco de partos ao encontro do meu médico com estava combinado! Ele olhou para mim e viu que se passava alguma coisa, que eu não estava normal. Eu disse-lhe que me tinham rebentado as águas para ele ver como estava o bebé porque eu queria ir para casa, que não queria um parto como o Tiago, demorado, doloroso e todo hospitalar. Queria ir para o conforto da minha casa até as dores se tornarem insuportáveis. Ele riu-se e disse que ia dar uma espreitadela ao meu bebé. Foi a demora de ligar o ecógrafo que todas as minhas esperanças desapareceram. Já não tinha líquido e era escusado pedir que eu só sairia do hospital com o bebé ao colo. O ctg não acusava nada nem movimentos do bebé o que preocupou o médico. Eu tentei explicar que era a hora dele dormir, mas mesmo assim não ficou muito convencido! Tinha 2 dedos de dilatação e um colo do útero muito bom.
Chamei o Paulo e ele com aquele optimismo que o caracteriza abraçou-me e disse que tinha a certeza que tudo ia correr bem! Foi comprar revistas e buscar o computador a casa porque sabíamos que ia demorar. Entretanto fui colocada num quarto, ligada ao ctg e a soro!
Passado um bocadinho veio o médico e disse com o seu jeito calmo que tinham que me por oxitocina no soro, para ver se desencadeada o trabalho de parto. Tinha mesmo de ser.
Assim foi esperamos que começassem as dores e entretanto ia falando ao telemóvel e escrevendo mensagens às amigas!
Por volta do meio-dia as dores começaram a aparecer e o bebé estava bem, mexia imenso para descanso do médico!
Comecei a fazer as respirações quando vinham as contracções e a coisa estava controlada. Estavam de 2 de 2 minutos! Nos entretantos ia falando com as parteiras, com as enfermeiras e com as estagiárias para parteiras que lá apareciam para colocar a mãozinha! Quando estou nervosa dá-me para falar e rir, que ainda é pior!
O tempo foi passando e uma hora depois as contracções estavam de minuto a minuto e eu agarrava-me à mão do Paulo e tentava pensar em coisas boas e como iria ser tão bom conhecê-lo! Os toques eram constantes e eu limitavam-me a respirar…o ctg era algo que já estava a incomodar-me muito e as enfermeiras obrigavam-me a estar deitada de uma determinada posição para ouvirem bem o bebé! Se eu pudesse atirava-o janela fora. Naquela altura aquilo parecia algo demoníaco e eu já nem conseguia olhar para ele. Quando vinha uma contracção eu tentava arranjar uma posição melhor e lá aquele queridinho aparelho apitava por todos os lados, parecia um polícia. Eu já pedia encarecidamente para mo tirarem pelo menos 5 minutos para eu descansar.
De vez em quando vinha a enfermeira e aumentava a dose da droga para a coisa piorar um bocadinho.
Por volta das 14 horas, estava eu ainda bem, mas com contracções com espaço de menos de um minuto dizer que eu já tinha 4 dedos, fiquei tão contente como se ela me tivesse a dizer que já estava com 10! É que do parto do Tiago eu tinha estado toda a tarde com dores e não passava dos 2 dedos! Era sinal que estava a evoluir bem!
Depois do toque veio uma enfermeira perguntar se eu queria levar epidural. Disse-lhe que ainda conseguia aguentar mais um pouco, mas ela lá referiu que era completamente desnecessário aguentar as dores se podia levá-la já e ficava mais relaxada! Olhei para o Paulo (acima de tudo era uma decisão nossa) e lá experimentei levar a tão falada epidural! Não custou nada a levar e a anestesista era 5 estrelas. O mais complicado era aguentar-me numa determinada posição sem me mexer! Correu bem e passado 10 minutos estava sem dores fortes! Um mimo!
E assim a tarde foi passando entre toques, leitura de revistas cor-de-rosa, telefonemas aos meus pais, música, conversas sobre como iria ser o Rodrigo e uma boa disposição muito grande.
Estava chegando aos 8 dedos quando a parteira disse que o bebé tinha encontrado um cantinho e estava “preso” e não conseguia descer. Ela lá tentou ajudá-lo, mas não conseguiu, tínhamos que aguardar mais um pouco. O Tiago na altura para nascer encontrou também esse mesmo cantinho e foi uma carga de trabalhos para sair de lá!
Em todos os toques eram sempre duas, uma parteira e uma estagiária. Eu ria-me e dizia que enquanto estivesse sem dores estavam na boa, quando elas voltassem a aparecer era uma e com muita sorte!
Eram talvez perto das 17:00 e decidimos que bom era ver um episódio da anatomia de Grey para desanuviar do ambiente hospitalar! Lol
Eu estava bem, um pouco ansiosa, mas sobretudo feliz por estar quase a chegar aos 10 dedinhos sem dores e a gozar o trabalho de parto, a sentir os seus últimos pontapés, a despedir-me da barriga e a imaginá-lo cá fora! O Paulo esteve sempre comigo e olhava para ele e via-o feliz, muito feliz por eu estar sem dores e bem. Que diferença tão grande! Do parto do Tiago ele coitadinho sofreu tanto, aliás sofremos!
Eram 17:30 quando a parteira fez um toque e disse que já estávamos com os 10 dedos, que o Rodrigo já estava numa posição muito boa e que agora era só fazer umas forcinhas e que não tardava tinha o meu filho ao colo!
Eu continuava sem dores, mas a sentir as minhas pernas e o meu corpo todo!
Fomos para a sala de parto e ainda tive a tirar fotografias a rir de perna em cima das perneiras e com o meu médico. Ele nem queria crer nos nossos sorrisos e não era o único porque a minha tia (mãe de duas, que numa excepção muito rara a deixaram assistir ao parto, por trabalhar no hospital) estava num estado de nervos ao ver-me assim!
Era um momento de festa, nós ia-mos conhecer o nosso segundo filho, estávamos eufóricos e tão felizes!
Apenas numa força saía o meu filho! Eu experimentei mais uma vez a sensação de sentir um filho a sair de dentro de mim! Chorou pouco. O Paulo conseguiu cortar o cordão com direito a fotos e tudo e ele foi colocado ao meu peito enrolado numa toalha! Uma sensação tão boa, olhá-lo, cheirá-lo e beijá-lo pela primeira vez! As enfermeiras queriam tirar-me o Rodrigo para vesti-lo, mas a parteira nunca deixou dizendo que os primeiros 10 minutos eram importantes serem passados ao pé da mãe! Eu agradecia interiormente o gesto porque aquele momento a 3 estava a deliciar-me.
Depois foi vestido pela minha tia enquanto o pai tirava fotos! Eu entretanto ia falando com a parteira para saber pormenores sobre as minhas partes e como tinham ficado. Ela disse que a coisa tinha corrido tão bem que via-se que eu tinha feito o meu trabalho de casa que não tinha sido necessário ser cortada e tinha levado só um ponto interior! Afirmou que a recuperação ia ser rápida para grande alegria do pai, que fez logo um sorriso de orelha a orelha que fez rir o médico e a parteira!
Perguntei pela minha placenta e ela mostrou-me e colocou-a em cima de mim. Chamou o Paulo para tirar fotos para ficar com uma recordação!
A parteira era qualquer coisa de genial, além das preocupações com o bebé e comigo ela ainda se
preocupou com as recordações e com a altura certa para tirar as fotos e até colocava a coisa a jeito para ficarem bem! À conta disso o Paulo conseguiu filmar o momento em que o Rodrigo estava a sair para conhecer esse mundo. Ficou uma filmagem linda, sem gritos, sem sangue só com aquele anjo a sair com o cordão à volta do pescoço, que ela tentou tirar a todo o custo sem cortá-lo para o pai ter este prazer!
O meu médico, que estava de serviço naquele dia, foi impecável! Pouco a pouco passava no quarto para ver como eu estava e na altura que eu tinha dores ficava comigo a fazer-me uma festinha no ombro até passar a contracção! Assistiu ao parto ao meu lado e foi dos primeiros a dar-me os parabéns!
Depois fomos para a sala do recobro os três, a parteira puxou os estores para baixo fechou as luzes e disse para passarmos os próximos 15 minutos a descansar e para eu aproveitar para dormitar um bocadinho. Estava um ambiente calmo e acolhedor, nem parecia um hospital e claro que eu não consegui descansar nada! Tivemos a admirar o nosso segundo filho, era perfeito e o nosso coração transbordava de alegria. Neste tempo ele mamou das duas mamocas e tive também a ajudar o Paulo nas mensagens a enviar ao pessoal amigo e família! Depois levaram-me para o meu quarto.
Quando eu digo que foi um parto maravilha acreditem que foi mesmo! Um bebé perfeito, eu sem dores na companhia do homem que amo muito e ainda como bónus uma recuperação cinco estrelas!



