quinta-feira, 9 de julho de 2009

O parto…(post muito longo)

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Passei a noite relativamente calma, estava certa que não era “aquele” dia! Na véspera tinha ido trabalhar e quase que me obrigaram a deixar as coisas mais ou menos organizadas que por mim eu iria ao hospital e logo voltava ao serviço!

A única diferença naquela noite foi a minha pergunta ao Tiago se queria dormir connosco toda a noite! Agarrei-me a ele e aí sim deu-me um misto de ansiedade/ medo do que viria a seguir.
De manhã depois do banho tomado comento com o Paulo que achava que estava alguma coisa estranha comigo e que tinha a sensação de estar a ter alguma perda de líquido. Como não tinha a certeza deixei andar. Vesti o Tiago, acabei de preparar o meu saco e o do Rodrigo e ainda a mochila do Tiago. Quando estávamos cá em baixo a tomar o pequeno-almoço sinto aquilo que eu não queria e que já tinha sentido do Tiago, rebentarem-me as águas! Dirijo-me ao Paulo e comento com ele o sucedido e eu ao dizer-lhe que não tinha dores a resposta foi logo: - Que treta vamos passar tudo outra vez! Carregamos o carro com os sacos de maneira a que o Tiago não visse para não fazer perguntas! Fomos levá-lo ao colégio e aí eu não tive coragem de entrar, dei-lhe um beijo apertado e disse-lhe que o adorava. Depois de ele sair do carro as lágrimas corriam-me pela cara e eu só tentava acalmar-me e que ia ficar longe dele por pouco tempo e que iria tudo correr bem!
A chegada ao hospital foi calma e fomos para o bloco de partos ao encontro do meu médico com estava combinado! Ele olhou para mim e viu que se passava alguma coisa, que eu não estava normal. Eu disse-lhe que me tinham rebentado as águas para ele ver como estava o bebé porque eu queria ir para casa, que não queria um parto como o Tiago, demorado, doloroso e todo hospitalar. Queria ir para o conforto da minha casa até as dores se tornarem insuportáveis. Ele riu-se e disse que ia dar uma espreitadela ao meu bebé. Foi a demora de ligar o ecógrafo que todas as minhas esperanças desapareceram. Já não tinha líquido e era escusado pedir que eu só sairia do hospital com o bebé ao colo. O ctg não acusava nada nem movimentos do bebé o que preocupou o médico. Eu tentei explicar que era a hora dele dormir, mas mesmo assim não ficou muito convencido! Tinha 2 dedos de dilatação e um colo do útero muito bom.
Chamei o Paulo e ele com aquele optimismo que o caracteriza abraçou-me e disse que tinha a certeza que tudo ia correr bem! Foi comprar revistas e buscar o computador a casa porque sabíamos que ia demorar. Entretanto fui colocada num quarto, ligada ao ctg e a soro!
Passado um bocadinho veio o médico e disse com o seu jeito calmo que tinham que me por oxitocina no soro, para ver se desencadeada o trabalho de parto. Tinha mesmo de ser.
Assim foi esperamos que começassem as dores e entretanto ia falando ao telemóvel e escrevendo mensagens às amigas!
Por volta do meio-dia as dores começaram a aparecer e o bebé estava bem, mexia imenso para descanso do médico!
Comecei a fazer as respirações quando vinham as contracções e a coisa estava controlada. Estavam de 2 de 2 minutos! Nos entretantos ia falando com as parteiras, com as enfermeiras e com as estagiárias para parteiras que lá apareciam para colocar a mãozinha! Quando estou nervosa dá-me para falar e rir, que ainda é pior!
O tempo foi passando e uma hora depois as contracções estavam de minuto a minuto e eu agarrava-me à mão do Paulo e tentava pensar em coisas boas e como iria ser tão bom conhecê-lo! Os toques eram constantes e eu limitavam-me a respirar…o ctg era algo que já estava a incomodar-me muito e as enfermeiras obrigavam-me a estar deitada de uma determinada posição para ouvirem bem o bebé! Se eu pudesse atirava-o janela fora. Naquela altura aquilo parecia algo demoníaco e eu já nem conseguia olhar para ele. Quando vinha uma contracção eu tentava arranjar uma posição melhor e lá aquele queridinho aparelho apitava por todos os lados, parecia um polícia. Eu já pedia encarecidamente para mo tirarem pelo menos 5 minutos para eu descansar.
De vez em quando vinha a enfermeira e aumentava a dose da droga para a coisa piorar um bocadinho.
Por volta das 14 horas, estava eu ainda bem, mas com contracções com espaço de menos de um minuto dizer que eu já tinha 4 dedos, fiquei tão contente como se ela me tivesse a dizer que já estava com 10! É que do parto do Tiago eu tinha estado toda a tarde com dores e não passava dos 2 dedos! Era sinal que estava a evoluir bem!
Depois do toque veio uma enfermeira perguntar se eu queria levar epidural. Disse-lhe que ainda conseguia aguentar mais um pouco, mas ela lá referiu que era completamente desnecessário aguentar as dores se podia levá-la já e ficava mais relaxada! Olhei para o Paulo (acima de tudo era uma decisão nossa) e lá experimentei levar a tão falada epidural! Não custou nada a levar e a anestesista era 5 estrelas. O mais complicado era aguentar-me numa determinada posição sem me mexer! Correu bem e passado 10 minutos estava sem dores fortes! Um mimo!
E assim a tarde foi passando entre toques, leitura de revistas cor-de-rosa, telefonemas aos meus pais, música, conversas sobre como iria ser o Rodrigo e uma boa disposição muito grande.
Estava chegando aos 8 dedos quando a parteira disse que o bebé tinha encontrado um cantinho e estava “preso” e não conseguia descer. Ela lá tentou ajudá-lo, mas não conseguiu, tínhamos que aguardar mais um pouco. O Tiago na altura para nascer encontrou também esse mesmo cantinho e foi uma carga de trabalhos para sair de lá!
Em todos os toques eram sempre duas, uma parteira e uma estagiária. Eu ria-me e dizia que enquanto estivesse sem dores estavam na boa, quando elas voltassem a aparecer era uma e com muita sorte!
Eram talvez perto das 17:00 e decidimos que bom era ver um episódio da anatomia de Grey para desanuviar do ambiente hospitalar! Lol
Eu estava bem, um pouco ansiosa, mas sobretudo feliz por estar quase a chegar aos 10 dedinhos sem dores e a gozar o trabalho de parto, a sentir os seus últimos pontapés, a despedir-me da barriga e a imaginá-lo cá fora! O Paulo esteve sempre comigo e olhava para ele e via-o feliz, muito feliz por eu estar sem dores e bem. Que diferença tão grande! Do parto do Tiago ele coitadinho sofreu tanto, aliás sofremos!
Eram 17:30 quando a parteira fez um toque e disse que já estávamos com os 10 dedos, que o Rodrigo já estava numa posição muito boa e que agora era só fazer umas forcinhas e que não tardava tinha o meu filho ao colo!
Eu continuava sem dores, mas a sentir as minhas pernas e o meu corpo todo!
Fomos para a sala de parto e ainda tive a tirar fotografias a rir de perna em cima das perneiras e com o meu médico. Ele nem queria crer nos nossos sorrisos e não era o único porque a minha tia (mãe de duas, que numa excepção muito rara a deixaram assistir ao parto, por trabalhar no hospital) estava num estado de nervos ao ver-me assim!
Era um momento de festa, nós ia-mos conhecer o nosso segundo filho, estávamos eufóricos e tão felizes!
Apenas numa força saía o meu filho! Eu experimentei mais uma vez a sensação de sentir um filho a sair de dentro de mim! Chorou pouco. O Paulo conseguiu cortar o cordão com direito a fotos e tudo e ele foi colocado ao meu peito enrolado numa toalha! Uma sensação tão boa, olhá-lo, cheirá-lo e beijá-lo pela primeira vez! As enfermeiras queriam tirar-me o Rodrigo para vesti-lo, mas a parteira nunca deixou dizendo que os primeiros 10 minutos eram importantes serem passados ao pé da mãe! Eu agradecia interiormente o gesto porque aquele momento a 3 estava a deliciar-me.
Depois foi vestido pela minha tia enquanto o pai tirava fotos! Eu entretanto ia falando com a parteira para saber pormenores sobre as minhas partes e como tinham ficado. Ela disse que a coisa tinha corrido tão bem que via-se que eu tinha feito o meu trabalho de casa que não tinha sido necessário ser cortada e tinha levado só um ponto interior! Afirmou que a recuperação ia ser rápida para grande alegria do pai, que fez logo um sorriso de orelha a orelha que fez rir o médico e a parteira!
Perguntei pela minha placenta e ela mostrou-me e colocou-a em cima de mim. Chamou o Paulo para tirar fotos para ficar com uma recordação!
A parteira era qualquer coisa de genial, além das preocupações com o bebé e comigo ela ainda se
preocupou com as recordações e com a altura certa para tirar as fotos e até colocava a coisa a jeito para ficarem bem! À conta disso o Paulo conseguiu filmar o momento em que o Rodrigo estava a sair para conhecer esse mundo. Ficou uma filmagem linda, sem gritos, sem sangue só com aquele anjo a sair com o cordão à volta do pescoço, que ela tentou tirar a todo o custo sem cortá-lo para o pai ter este prazer!
O meu médico, que estava de serviço naquele dia, foi impecável! Pouco a pouco passava no quarto para ver como eu estava e na altura que eu tinha dores ficava comigo a fazer-me uma festinha no ombro até passar a contracção! Assistiu ao parto ao meu lado e foi dos primeiros a dar-me os parabéns!
Depois fomos para a sala do recobro os três, a parteira puxou os estores para baixo fechou as luzes e disse para passarmos os próximos 15 minutos a descansar e para eu aproveitar para dormitar um bocadinho. Estava um ambiente calmo e acolhedor, nem parecia um hospital e claro que eu não consegui descansar nada! Tivemos a admirar o nosso segundo filho, era perfeito e o nosso coração transbordava de alegria. Neste tempo ele mamou das duas mamocas e tive também a ajudar o Paulo nas mensagens a enviar ao pessoal amigo e família! Depois levaram-me para o meu quarto.
Quando eu digo que foi um parto maravilha acreditem que foi mesmo! Um bebé perfeito, eu sem dores na companhia do homem que amo muito e ainda como bónus uma recuperação cinco estrelas!

7 comentários:

carmo pinto disse...

nem que fosse do tamanho de um livro...eu lia este teu post!
muito emocionante deixou me de lagrima no canto do olho!
como eu gostava de ter parto normal...é uma censação unica sem duvida!
ainda bem que correu tudo bem e tens sem duvida 3 homens maravilhosos!
parabens
jitos

T disse...

:)
Santa epidural :P

Paula disse...

Gosto sempre muito de ler ou ouvir as tuas descrições dos momentos importantes. relatas tudo ao pormenor e quase vivemos o que viveste.
Do dia de ontem ficam só a faltar as fotos do menino Rodrigo com três semaninhas e umas do Tiago que nunca mais puseste para fazer as delícias do que estão longe.
Um beijo grande para os quatro.

Maria disse...

Que "delicia" de parto..:)
Beijinhoo.

♥pezinhos de lã♥ disse...

já não passava por cá há algum tempo... antes de mais muitos parabéns e muitas felicidades :)
bj

sonia disse...

Ai linda, que arrepios :))) So te digo mais uma coisa: a maior invenção do século foi mesmo a santa da epidural!!!!!

Foram duas vezes e NUUUUUNCA me arrependo lol

Beijinhos

Patrícia disse...

Amei ler este post!
Emocionei-me...

Bjs