...mas há outros que se eu pudesse fugir ninguém me via até ao outro dia.
Ontem esteve um dia típico de inverno. Muito vento, chuva e frio. Optámos por ficar em casa já que um está com uma tossinha e o outro com pingo no nariz. O dia correu lindamente. Fizemos os TPC's do colégio para o Natal, pintamos, fizemos quadrados de chocolate, organizamos o quarto do brinquedos, embrulhámos as ofertas para as bisas (o pai natal não tem dinheiro para todas!), vimos um filme de natal todos enroladinhos no cobertor e por aí fora num clima de pura harmonia.
Bom, mas toda a harmonia que tivemos acabou quando o pouco sol desapareceu. Encomendámos comida, para "matar" um desejo, e em vez do homenzinho aparecer às 18:45, hora combinada, eram 20 horas e ele ainda não tinha chegado. Os miúdos entretanto eléctricos e com as brincadeiras do mais parvo que existe. Wrestling no chão é grave então com pulos do sofá para o chão pior. E ele em casa nunca vê aquilo que eu não deixo.
Depois para acalmar as feras decido ir buscar uns comboios e puzzles de madeira para brincarmos. Asneira! Não tardou e o ser pequenino atirou-me com uma das carruagens à testa, até sangue fez. Castigo.
Depois o pequenino lembrou-se que fixe era desligar a televisão ao irmão. Ficou de castigo. Num total desligou a televisão umas 10 vezes e das 10 vezes ficou de castigo. Não estava nem aí.
O mais velho limitava-se a fazer queixa do irmão e mais tarde a fazer de leão atrás dele. O Rodrigo gritava e dava pancadas no "leão" para ele se ir embora. Um filme de terror.
Entretanto, enquanto a comida não chegava tentava que comessem a sopa. O mais velho não quis e o mais novo que adora comer, cuspia.
Por fim o homem da comida chegou. Aleluia!
Esquecesse a sopa e tentasse que comam o segundo prato. Comeram, mas sempre num desassossego terrível.
Depois de todos jantados e de tudo tratado, banhos! Eu só pensava que como o mais velho não dormiu e o mais novo dormiu pouco ia ser num instante e não tardava estávamos a descansar e eu a colocar qualquer coisa na testa para acalmar o galo.
Puro engano. Depois do banho o mais novo abriu a goela porque não queria sair de dentro da banheira e só se calou passado meia hora. O mais velho a cair de sono, mas com energia para dar e vender não deixava o irmão em paz. Escondia-se, pregava sustos, agarrava-o para dar abraços apertados que, claro, era aquilo que ele menos queria. Quando eu julguei estar tudo mais calmo veio a cereja em cima do bolo. Começa o pequenino a dar dentadas. Mais um castigo.
Eu bufava, o pai bufava, eles riam, choravam e gritavam. Não havia castigos que resultassem e se nós tivéssemos a mão leve eles ontem tinham levado uma tareia de certeza.
Por fim eram 10 da noite eles adormeceram.
Vestimos os pijamas e cama. Estoirados, cansados de colocar os miúdos de castigo e tristes. Ontem eles não foram de todo os nossos filhos e quase que nos levaram à loucura. Não fomos a família que costumamos ser e eu não gostei. É raro encomendar-mos comida fora e até isso correu mal. Nunca mais passar um dia inteiro com eles dentro de casa. Pelo menos não num futuro próximo.
(Nunca mais vim aqui com muita pena. O mês de Dezembro é sempre mais prejudicado em posts. Tenho andado cheia de trabalho. Nessa altura do ano é sempre assim e nos dias que correm é muito bom.Nos serões, quando não adormeço de cansaço com os miúdos, dedicamos o nosso tempo à Missão Acreditar e a organizar as ofertas de Natal para a família.Ainda temos tido uns bons TPC dos miúdos que têm enchido a mesa da cozinha de cola e purpurinas! Os trabalhos são feitos a quatro e tem sido uma festa.)