sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Do baú...

Post que eu escrevi ao Tiago quando ele fez 21 Meses e que foi publicado num outro blog.
Não vou dizer que não era feliz antes de nasceres, era e muito. Tinha saúde, amigos, família e o teu pai que tanto gosto. No entanto faltava sempre qualquer coisa e essa coisa eras tu! Quando nasceste a nossa casa deixou de ser a mesma, ainda hoje quando entro em casa ela transmite-me uma paz (mesmo com os teus gritos) e harmonia que nunca tinha sentido quando éramos só os dois, tudo faz sentido, tudo encaixa tão bem. Não sei se um dia vais entender isso, sinto que segui o caminho certo e por isso estou bem e posso também dizer-te que nem por um segundo foste visto por uma decisão menos acertada ou tomada cedo de mais. NUNCA, mesmo com as noites mal dormidas que temos até hoje! LOL! É maravilhoso sentir que somos tudo o que os nossos pais quiseram de um filho e que nunca fomos um empecilho para isso ou aquilo. Eu sempre o senti e sei que sentes o mesmo. Com isso não quero dizer que os nossos primeiros meses como pais foram fáceis. Foi preciso algum poder de gestão de tempo, para nada falhar, ou melhor falhar menos. Foram muitas exigências tuas, do teu pai, da família e até para comigo própria para que tudo ficasse com estava antes de nasceres. O primeiro passo foi aprender que nada iria ser como antes. Melhorava ou piorava. E foi isso mesmo que aconteceu especialmente nas relações humanas. Dos amigos ficaram aqueles muito bons com quem tu convives muitas vezes e até sabes o nome de quase todos eles e das relações familiares foi igual. As relações em “banho maria”, como lhes chamo, deixaram de existir. Foi um corte bom, agora sinto que estou rodeada de pessoas que nos querem sempre o bem e desejam o nosso melhor. E são estes nossos/teus amigos que um dia tenho a certeza te irão apoiar naquilo que precisares. Os nossos amigos, que poucos são pais, lidaram com a nossa situação de recém papás com uma destreza invejável. Deram o espaço que precisávamos, deram os seus ouvidos para temas de noites mal dormidas e fraldas sujas que nem um pouco os devia interessar, os telefonemas dos que estão longe que tantas vezes foram interrompidos com choros e eu só ligava de volta passado dias. Eles todos ajudaram a estarmos naquela harmonia que falei anteriormente. Devemos ter falhado em algumas situações, é possível que sim, mas tenho a certeza que compreenderam que foi uma experiência nova também para nós! Da família, que é grande, correu como esperávamos. Esteve presente quem achámos que iria estar. Há coisas que nunca se esquece e aquelas marmitas com comida da minha mãe porque ela sabia que não tínhamos tempo para nada são uma delas. A nossa tradição neste aspecto é uma gaita. O bebé nasce vamos para casa e nem temos tempo para nos adaptar a essa nova realidade que já temos a casa cheia de gente. Quando são visitas que para além de verem o bebé servem para conversar um bocadinho e até dar uma mãozinha, se necessário, tudo bem! Agora as outras que ainda temos que dar cafezinho, bolachinhas, bolinho, licor…A campainha tocava e quase que me dava vontade de chorar. Era cá um vai e vem de pessoas. A casa tinha que estar em condições porque eu assim o queria e sem empregada não foi lá muito fácil. Num próximo quem vai ditar as regras sou eu e não as visitas. Fui burra, muitas vezes estava eu com dores por causa dos pontos ou por causa da mastite a fazer sala e a endireitar algumas coisas para não apanharem a casa assim. Houve uns tios que durante uma passagem pela nossa casa levaram o jantar para nós. Só nos disseram que era uma ajuda para conseguirmos descansar mais um bocadinho. Aquela preocupação demonstrada e o olhar deles como quem dizia nós sabemos o que é, valeu pela vida! Um gesto simples, que só me deu vontade de chorar, as hormonas aos saltos também ajudaram. E poderia estar aqui a falar de mais umas quantas coisinhas que me emocionaram, como por exemplo um determinado cabaz que recebi a pensar nos três!
(já fugi ao assunto inicial...)
A maternidade deu-me mais MEDO das travessuras da vida. Agora quando ouço alguma má notícia inevitavelmente lembro-me sempre se fosse contigo. Quando vejo no telemóvel o nome do teu colégio o meu coração congela, quando choras e eu noto que é um choro de dor todo o meu corpo pede para ficar com ela,.. Mas é assim a vida, não te posso tirar certas dores, mas juro que irei estar sempre aqui para de dar a mão para que o sofrimento seja menor. Vais crescer e um dia eu irei antever algumas desilusões tuas, tal como os meus pais adivinharam muitas das minhas, mas mesmo assim tenho que deixar que elas aconteçam para cresceres e aprenderes com os teus erros e escolhas menos boas.
Adoro estar ao teu lado nessas tuas descobertas e ter a possibilidade de estar muito presente na tua vida. OK gostava de estar mais um bocadinho, mas não se pode ter tudo e a verdade é que gosto de trabalhar e precisamos de ter 2 ordenados cá em casa. Existem dias que apetece, mas acho que faz bem a todos ter saudades. O tempo passado contigo é de qualidade e de diversão.
Que todos os meses que se seguem sejam passados com a alegria que têm sido estes 21! Amamos-te muito Pinarreta.
(Janeiro de 2008)

Um das vantagens de ter blogs é essa. Se não fosse o blog nunca teria escrito essas linhas para o meu filho. Acredito que daqui a uns aninhos ele vá adorar ler todos esses textos desde a gravidez dele.